Exercício aeróbio e o efeito neoangiogênico
Sexta-feira, 06/03/2009 10h37min
Os exercícios aeróbios, ao longo da história das pesquisas, foram sempre ostentados pelos estudiosos como principal categoria de atividade física, por esse motivo até então é foco de supremacia das investigações acadêmicas na área de conhecimento da Fisiologia do Exercício.
Os aeróbios são aqueles realizados de modo contínuo que utiliza o oxigênio para geração de trabalho muscular. Caminhar, correr, pedalar ou nadar são movimentos cujo consumo de oxigênio e gasto calórico são superiores ao estado de repouso. Sendo assim, os exercícios praticados initerruptamente proporcionam uma série de efeitos beneficentes à saúde.
As respotas fisiológicas desencadeadas pelos aeróbios são: diminuição da resistência insulínica, ajuda do controle da massa corporal ideal, aumento do consumo de oxigênio, otimização da força de contratilidade cardíaca e melhorias no sistema cardiovascular, entre outras.
Dentre as diversas alterações morfo-fisiológicas (forma e função de órgãos, tecidos e células) que ocorrem no organismo, destaca-se o fenômeno da vascularização colateral ou neoangiogênese, formação de novos vasos sanguíneos. A irrigações colateral é fruto de uma adaptação crônica aos exercícios de resistência aeróbia, quando praticados durante anos de treinos regulares ao longo da vida fisicamente ativa. A neoangiogênese, sobremaneira, é importante quando se apresenta no músculo cardíaco – um dos principais órgãos -, porque quando uma artéria importante ocasionalmente é infartada, é a irrigação colateral que pode suprir a demanda emergencial de oxigênio e de nutrientes transportados através da corrente sangüínea. Quando o conteúdo do sangue não chega a tempo ou em quantidade suficiente, o tecido do coração poderá ficar necrosado (morte da musculatura cardíaca).
No início dos anos 2000, ainda acadêmico de Educação Física, ministrava orientações para caminhada, corrida e alongamento na pista de cooper do Parque das Dunas do Natal/RN, antigo Bosque dos Namorados. Lá, chegou ao nosso conhecimento de que uma das alunas, um certo dia sentiu um mau-estar na altura do peito. Preocupada com a dor, decidiu buscar averiguação clínica. O médico a examinou, e informou que era necessário deixá-la internada, pois aquele mau-subto se tratava de uma artéria obstruída, isto é, infartada. A notícia, não era para menos, foi encarada com supresa por todos que a acompanharam, e principalmente para a paciente.
Dias se passaram, a aluna, agora na situação de paciente, recebeu alta médica. Mas, antes de a peciente ir embora, o médico fez a seguite indagação: a senhora praticava algum tipo de exercício? Ela respondeu: sim, faz quinze anos que faço caminhada no Bosque dos Namorados. E o médico então disse: certamente o que salvou a senhora de um problema mais grave foi o fato de se exercitar há anos, caso não fizesse as caminhadas, não tivesse sentido apenas aquele mau-estar.
A cada década que passa, os dados das pesquisas científicas vêm comprovando a eficiência do exercício físico e o quanto ele é salutar para a saúde. No relato desse caso, a senhora aderiu à prática de caminhada como um hábito saudável e uma atividade costumeira. A circulação sanguínea colateral, oriunda da adoção ao esforço fisico regular, foi capaz, certamente, de salvá-lhe a vida. Acredita-se que esse fato, embora isolado, deva ocorrer com centenas de pessoas Brasil afora, seja um fator suficiente para motivar a população nacional, inclusive você, a dar mais e mais passos ao encontro da vida.
James Fernandes Graduado em Educação Física – UFRN
Especialista em Fisiologia do Exercício – Universidade Gama Filho/SP
CREF 1.018-G/RN
E-mail: jamesprof@ig.com.br
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