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A participação das mulheres na prática de exercícios em academias



Sexta-feira, 06/03/2009 10h10min

A prática de exercícios físicos em academias no Brasil começou no início da década de 80. Inicialmente executada pelos incipientes do treinamento com peso, o preferido dos homens. Já as mulheres, se aventuravam nas chamadas ginástica aeróbica e localizada. Elas iniciaram a prática de exercícios contra-resistência aos poucos e de modo tímido, pois naquela época havia o preconceito de se ver mulheres levantando pesos – as conhecidas “marombas”-, tal pratica durante aquele período causava, no mínimo, estranheza.

Hoje, não raro, elas tomam os espaços nas academias, seja na sala de ginástica, seja na de musculação, onde têm sempre uma delas se exercitando. Ademais, as mulheres estão a realizar sua prática lado a lado com os homens, inclusive diante de exercícios de força, aos quais a discriminação era maior. No salão de musculação elas realizam suas séries de exercícios com igual dedicação e competência quando comparadas a eles, os pioneiros dessa modalidade. Elas costumeiramente se importam com a sua aparência física (estética), portanto, estão constantemente em busca de melhorar a silhueta e esculpir o corpo.

Além de melhorar a imagem corporal, o treinamento de força é uma das atividades mais importantes, aumentar a força muscular e reduzir gordura corpórea, naturalmente é benéfico à saúde. Haja vista que a força relativa na mulher é menor que a do homem, em média de 30% a 40%, e o percentual de gordura, maior que a deles, em média 10%. Por exemplo, um jovem de 20 anos deve ter aproximados 13% a 15% de gordura corporal, já uma jovem de mesma idade deve ter de 23% a 25%. Manter a força muscular e o nível de gordura em padrões saudáveis é primordial para a vida.

A partir da quarta década de vida - por volta dos 40 a 45 anos de idade – as mulheres passam pelo chamado climatério (diminuição da fisiologia de ovários e de hormônios sexuais) e, posteriormente, pela menopausa com a redução natural do hormônio estrógeno. Esse declínio hormonal causa a desmineralização dos ossos cujo principal mineral de constituinte do esqueleto humano é o cálcio. Durante a mesopausa, a atividade menstrual na mulher fica diminuída até chegar ao ponto de apresentar absoluta inatividade, portanto chegando a parar de menstruar definitivamente. A interrupção do ciclo menstrual traz alterações deficitárias na fisiologia feminina.

Quando as mulheres não têm a oportunidade de treinar sua força muscular estão, infelizmente, deixando de melhorar sua capacidade física, além de melhorar sua massa muscular e óssea. As que treinam regularmente estão, às vezes inconscientemente, prevenindo-se contra a osteopenia (perda de massa óssea) e sarcopenia (redução da massa muscular); e consequentemente evitando situações inconvenientes de futuros traumas de cunho ósteo-muscular. Por carência de força muscular e por terem ossos enfraquecidos, ocorrem as quedas de pessoas idosas, principalmente de mulheres. Esse fato é favorecido devido ao processo gradativo de envelhecimento.

As quedas são mais comuns no banheiro, pelo fato de estarem escorregadios e/ou molhados. Com as quedas ocorrem as fraturas, e as mais frequentes são as de cólon de fêmur e de quadril. Além do custo financeiro médio de R$ 4.000,00, que se paga por uma prótese para poder voltar a se movimentar, a pessoa pode ficar definitivamente incapaz fisicamente, portanto dependente de ajuda diária. A pessoa fica com sensação de inutilidade e dependência. Mas a história não acaba por aí, pois o trauma de uma fratura de fêmur também gera problemas de ordem psicológica como a busca pelo isolamento, depressão e ansiedade, os quais devem ser tratados por equipe profissional (médico, enfermeiro, fisioterapeuta, psicólogo, educador físico, nutricionista etc.)

Aplausos às mulheres que adoram praticar exercícios, sobretudo a musculação. Que continuem com atitudes de dedicação e de perseverança, sua saúde agradece e agradecerá, especialmente, na meia e na terceira idade. Para aquelas que têm a oportunidade de treinar e que fogem da sala de musculação, fica um alerta para que se cuidem, antes que situações inesperadas e indesejadas venham a acontecer. Reflita sobre este assunto e procure um profissional qualificado para esclarecer as possíveis dúvidas. E viva saudável.

James Fernandes
Graduado em Educação Física – UFRN
Especialista em Fisiologia do Exercício – Universidade Gama Filho/SP
CREF 1.018-G/RN
E-mail: jamesprof@ig.com.br

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